Banana à Milanesa, i testi

Adattamenti in portoghese dai testi di Enzo Jannacci, Cochi Ponzoni, Renato Pozzetto, Dario Fo, Massimo Boldi e altri a cura di: Ricardo Fischmann, Ramiro Levy, Daniel Plentz e Eduardo Stein Dechtiar.

1. Malpensa

O aeroporto de Malpensa é muito belo,
Muito belo pra quem gosta de esperar
O aeroporto de Malpensa é lembrado e esquecido
De acordo com a hora de chegar

O aeroporto de Malpensa é de quem dorme, é de quem pensa,
De quem sonha com uma vida mais ao sul
O aeroporto de Malpensa é projetado
Para a espera, despedida e céu azul

Malpensa, Malpensa
Ó santa paciência
Com pressa é que se vai
Por cima é que se sai
Malpensa, Malpensa
Continua experiência
Os dias são iguais
Pra sempre nunca mais

No aeroporto de Malpensa há uma história
De um velho homem que daquele fez seu chão
Todo dia ele é lembrado e esquecido pela pressa de quem passa,
De quem passa sempre em vão

Ele um dia foi chamado de vampiro
Outra noite acusado de ladrão,
Até mesmo a bela voz que dá os avisos
Lhe insultava na chamada do avião

Malpensa, Malpensa
Saida de emergência
Com pressa é que se vai
Por cima é que se sai
Malpensa, Malpensa
Continua experiência
Os dias são iguais
Ja não aguento mais

O aeroporto de Malpensa é muito grande
O bastante pr’uma alma abrigar
No segundo que um chega o outro parte
Como a roda que não para de girar


O aeroporto de Malpensa está vazio
Como não se imaginou que iria estar

O malandro velho, com um sorriso
Finalmente viu sua hora de voar
O malandro velho, com um sorriso
Finalmente viu sua hora de voar

Come tanti ho sognato di volare
Oh oh oh
Come loro volevo andar più su
Oh oh oh
Dove il cielo è di un bel colore azzurro
Un azzurro che tira quasi al blu
All’improvviso mi sono ribaltato
La testa in basso
E i piedi in su
Ho cercato di atterrare alla Malpensa
Sono entrato dall’uscita di emergenza

(Parte italiana del testo: copyright Sugar)

 

2. É a vida

Quem que sofre saltando de amores
Continua esbanjando rigores
Quem que um dia ao invés de sofrer-lo
Ao amor que há dentro, me parto
Mas aonde é que vou se eu me parto
Sempre é o mesmo, se eu parto

Tchau… àquele que faz ser tão triste
Ao que inveja a beleza da bici
Quando um tira a certeza de um destro
Outro inveja a riqueza do resto
O que sempre calcula que parte
Mas aonde ele chega se parte?

É a vida, é a vida
E a vida é bela, tão bela
Basta vê-lo com ela, com ela
Que se lê em minha testa
Lembra um dia de festa

Quem que um dia fez tanto furor
Nem pensou em trocar sua cor
Quem que manja de tanta modéstia
Que é correto, isso nem se contesta
E que sempre é aquele que parte
Mas aonde ele chega se parte?

É a vida, é a vida
E a vida é bela, tão bela
Basta ver esse umbrella, esse umbrella
Que se lê em minha testa
Lembra um dia de festa
É a vida, é a vida
E a vida é estranha, estranha
Basta uma pessoa que ganha
Que se estampa em minha testa
É finita essa festa

3. Vengo anch’io no tu no

É hoje que vamos até o zoológico desta cidade
Vengo anch’io? No, tu no
Para ver como somos grandes bestas ferozes
E gritar bem alto, bem alto “Fugiu uma fera!”
E escondido ficar escutando o espanto das vozes

Vengo anch’io? No, tu no

É hoje que saio feliz pelas flores da primavera
Vengo anch’io? No, tu no
A pequena atracada no braço falando de amores
E a chuva que cai a molhar as palavras tão belas
É a mesma que vem e desbota todas as cores

Vengo anch’io? No, tu no

Se pudesse traria pro mundo a certeza de vidas melhores
Vengo anch’io? No, tu no
Em que salve sua mão só quem corte bem a mão do outro
Um mundo tão lindo, sorrindo, amarelo, desgosto
Já cavando um buraco bem fundo pra se enterrar

Vengo anch’io? No, tu no

Se pudesse pro meu funeral gostaria de ser convidado
Vengo anch’io? No, tu no
Só pra ver a tristeza que pinga colírio no olho
E chorar de verdade ao ver tudo isso calado
Cansado, coitado, ralado de tanto implorar

Vengo anch’io? No, tu no
Ma perché’? Porque não

5. La gallina

A galinha não é um animal inteligente
Isso se entende,
se entende
De como olha pra gente

Mas de resto toda essa vida é uma roda
E a galinha sentada na rua repete, repete
Repete o mesmo gesto

Tchu, tchup-tchururu-ru, tchup-tchururu-ru-u-u-u-u-u

 

6. Banana à milanesa


Há quem pense que é sempre verão
E há quem saiba da triste beleza
Tem quem não conheça a imensidão
E há quem veja nela a sutileza

De transpor nos versos da canção
Frutos dessa estranha natureza
Contrapor ao peso do feijão
Algo que lhes caia com leveza

Ao contar estrelas pelo chão
Lembro do que esquece tanta gente
Mesmo que recheio seja em vão
Sobra uma canção inteligente

A névoa um belo dia veio descrever
O quanto desse cinza é algo a se enteder
Por isso, meu amigo, não vou te escrever
Mais vale resumir nessa receita
De uma banana à milanesa

A quem pensa que há sempre um refrão
Pr’uma letra cheia de certezas
Quando for comer esse feijão
Escute essa banana à milanesa

 

7. Madonina (strumentale)

 

8. Eu vi um rei

Dudale: Eu vi um rei!
Coro: Ele viu o que?
Fisch: Ele viu um rei.
Coro: Ah tá, tá bem, vem pra cá, conta bem.
Dudale: Um rei que chorava aos prantos cavalgando, chorava tantas lagrimas…
Coro: Chorava o quê?
Dudale: Molhava o seu cavalo.
Coro: Pobre do rei.
Fisch: E coitado do cavalo…
Coro: Ah tá, tá bem, vem pra cá, conta bem.
Dudale: O imperador lhe roubou um belo dia o seu castelo…
Coro: Mas que azar!
Dudale: Dos trinta e dois que ele tem por lá.
Coro: Pobre do rei.
Fisch: E coitado do cavalo!
Coro: Ah tá, tá bem, vem pra cá, conta bem.
Ramirez: Eu vi um bi…
Coro: Como é que é?
Fisch: Ele viu um bis-po!
Coro: Ah tá, tá bem, vem pra cá, conta bem.
Ramirez: E também ele, o bispo, chorava, fazia um papelão, mordia uma mão…
Coro: A mão de quem?
Ramirez: A mão do sacristão.
Coro: Coitado bis-po.
Fisch: E pobre do sacristão…
Coro: Ah tá, tá bem, vem pra cá, conta bem.
Ramirez: É que o cardial lhe roubou um belo dia uma igrejinha…
Coro: Ó coitadinho!
Ramirez: Das trinta e duas que ele tem por lá.
Coro: Coitado bis-po.
Fisch: Ai, pobre do sacristão.
Coro: Ah tá, tá bem, vem pra cá, conta bem.
Plentz: Eu vi um de nózes!
Coro: Ele viu o que?!
Fisch: Ele viu um de nós. (Um camponês)
Coro: Ah tá, tá bem, vem pra cá, conta bem.
Plentz: O bispo, o rei, o imperador, o sacristão e o cardial passaram a mão sem pena
na casa, na granja, levaram a vaca, o violão, a árvore de caqui, o rádio de pilha, o disco do Belchior, a mulher…
Coro: E mais o que?
Plentz: Seu filho mais gordo.
Coro: Ah tá, tá bem…
Plentz: Depois mataram o seu porco.
Coro: Pobre leitão.
Fisch: É… o porco, né?
Coro: Ah tá, tá bem, vem pra cá, conta bem.
Plentz: Mas ele não chorava. Pelo contrário, gargalhava… ha ha ha ha ha ha ha ha…
Coro: Tá pinel?
Plentz: Não.
Coro: É porque nós somos minhoca da terra!
E sempre alegres vamos estar, que o nosso choro faz mal ao rei; faz mal ao bispo e ao imperador que ficam tristes se nos vêem com dor.
E sempre alegres vamos cantar que o nosso choro faz mal ao rei; machuca os ricos e os cardiais que ficam tristes com os nossos ais… laia laia laia laia, laia laia laia laia, laia laia laia laia, laia laiaaaaa… be.

 

9 João telegrafista

Piri piri…

João, telegrafista e ninguém mais
Em sua estação, nenhuma pessoa
Mas tinha urgente o coração, mesmo sem nenhuma promoção
Batendo, batendo numa tecla só

Piri piri…

Elíptico, dos bons telegrafistas
Cortando flores, preposições
Para encurtar palavras
Para ser mais breve
Nessa necessidade, nessa necessidade

Conhece Alba, uma Alba pouco alva
À luz avermelhada, até mulata
Que um dia de manhã fugiu de casa para andar pela cidade
E tanta luminosidade se alimentar

Piri piri… história viva e urgente!

Ah, inutil alfabeto morse a mão
João, telegrafista, buscando, buscando Alba em cada um de seus telégrafos
Ah, quando a inveja é como essa
Amorosa, urgência, João, telegrafista
E ninguém mais, urgente!!

(Guitar) piri piri…

Por suas mãos passou o mundo
Um mundo que é urgente, criptográfico, rápido, cifrado
Passou o preço do café, passou o matrimônio de Eduardo oitavo
Hoje duquesa de Windsor, passaram cavaleiros na China
Passou a sensação de uma bomba
Passaram muitas coisas e entre elas passou a notícia do casamento de Alba… com outro

(Fisch) piri piri…

João, telegrafista, com seu coração urgente
Não diz palavras, só alguns pontos negros
Sem a mínima intenção simbólica pararam sob o seu telégrafo
Alba… é urgente.

10. Canção inteligente


Ci piacerebbe cantar
Una canzone intelligente
Che segua un filo logico importante
E che sia piena di bei ragionamenti
Insomma una canzone intelligente
Che spieghi un po' di tutto, e un po' di niente

Eis essa canção inteligente,
Que fará cantar toda essa gente
Eis essa canção inteligente
Que fará cantar, que fará bailar, que fará bailar
Lo sciocco in blu!

Cosa ci vuole si sa
Per far successo con la gente
Si prende un filo logico importante
La casa discografica adiacente
Veste il cantante come un deficiente
Lo lancia sul mercato sottostante

Eis essa canção inteligente,
Que fará cantar toda essa gente
Eis essa canção inteligente
Eis essa canção
Eis essa canção inteligente,
Que fará cantar toda essa gente
Eis essa canção inteligente
Que fará cantar, que fará bailar, que fará bailar
Lo sciocco in blu!

(Parte italiana del testo: copyright Sugar/Impala)

 

11. La quiniela

Por correr dessa maneira
Não entendo o que é essa esteira
Se quem corre sempre há de encontrar

Sendo nuvem passageira
Nesse céu de pouca estrela
Não é fácil ter o que pensar

É a minha sina (não sei por quê)
Espero a loteria (mais um carnê)
Ou alguém que ria
Sem saber perder

Por correr dessa maneira
Faço verso a noite inteira
Mesmo sem ter nada pra falar

Esperando a lua cheia
Fico aqui nessa cadeira
Assistindo o sol afundar

É a minha sina (não sei por quê)
Espero a alegria (mais um carnê)
Nem mais um dia
Sem acontecer

Mas é a minha sina (não sei por quê)
É a minha rima (sem saber)
Que a loteria
Sou eu e você

 

12. Silvano

Jannacci: Amami, amami prendimi sgonfiami
Coro: Amami
Jannacci: E dopo amami, amami sdentami stracciami
Coro: Amami
Jannacci: E dopo stringimi dammi l’ebrezza dei tendini
Coro: Ai ueh
Jannacci: Prendimi con le tue labbra carezzami
Coro: Ia ui ue
Jannacci: Rino non riconosco gli aneddoti
Coro: Io
Jannacci: E dopo schiodami spostami tutte le efelidi
Coro: Io
Jannacci: Aprimi picchiami solo negli angoli
Coro: Ai ueh
Jannacci Brivido no non distinguo più i datteri
Coro: Ia ui ue
Jannacci: Silvano e non valevole ciccioli
Silvano mi hai lasciato sporcandomi
E la gira la gira la ruota la gira
E la gira la gira la ruota la gira
E la storia del nostro impossibile amore continua
Anche senza di te
Amami amami stringimi sgonfiami
Coro: Amami
Jannacci: E dopo amami sdentami stracciami applicami
Coro: Amami
Jannacci: E dopo stringimi dammi l’ebrezza dei tendini
Coro: Ai ueh
Jannacci: Prendimi con le tue labbra fracassami
Coro: Ia ui ue
Jannacci: Rino sfodera scuse plausibili
Coro: Io
Jannacci: E dopo girati scaccia il bisogno del passero
Coro: Io
Jannacci: Lurido soffiati il naso col pettine
Coro: Ai ueh
Jannacci: Everest sei la mia vetta incredibile
Coro: Silvano e non valevole ciccioli
Silvano ChicoBuarquedehollandami
Jannacci: E la gira la gira la ruota la gira
E la gira la gira la ruota la gira
E la storia del nostro impossibile amore continua
Anche senza di te
Coro: Silvano e non valevole ciccioli
Silvano ChicoBuarquedehollandami
Jannacci: E la gira la gira la ruota la gira
E la gira la gira la ruota la gira
E la storia del nostro impossibile amore continua
Anche senza di te.

(testo italiano copyright Ca-Mo/Impala)

 

13. La cosa rosa

Guarda, quel sorriso
Verticale vuole te
Come un fiore, si sfoglia, si schiude
Innaffiarlo tocca a te

Senti, quel profumo
Di aragosta e camembert
Più del vino, ti inebria, ti porta via con sé
È il più dolce dei dessert

A coisa rosa
Meravigliosa
Tagliola
D’amor

A coisa rosa
In ogni stagione
Ha lo stesso
Color

A coisa rosa
Protagonista
Del cinema
Hard core

A coisa rosa
Sembra schifosa
Ma quando la provi…

Ti piace, da impazzire
Sia boscosa, o depilée

È un miracolo della natura
Non si spiega, va da sé

A coisa rosa
Meravigliosa
Tagliola
D’amor

A coisa rosa
In ogni stagione
Ha lo stesso
Color

A coisa rosa
Protagonista
Del cinema
Hard core

A coisa rosa
Sembra un mollusco
Privato del suo carapace
Ti piace
Si, ti piace
Mi piace…

 

 

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